Através de uma proposta feita pela amiga (Ana Flávia), tentarei escrever aqui boa parte da aventura que vivenciei em uma das partes mais belas da Chapada dos Veadeiros, o complexo de cachoeiras do Rio Prata, no mês de novembro de 2014.

Chegando na cidade de Cavalcante-GO, na noite anterior ao início da aventura, encontrei pela primeira vez com Thiago Roots, Rodrigo Zaltana e Wagner Duarte; moradores da cidade e guias integrantes e idealizadores desse projeto chamado Trekking Chapada dos Veadeiros e que, durante a aventura, acabaram se tornando grandes amigos. Enquanto saboreávamos um cachorro-quente na pracinha central da cidade, conversávamos sobre alguns detalhes da aventura de três dias e duas noites que estávamos perto de iniciar. Logo depois resolvi dormir logo pra não ter que sofrer mais de tanta ansiedade.

Finalmente o dia amanheceu e nos encontramos na mesma praça da cidade para partirmos. O grupo era composto pelos 3 guias e mais 8 pessoas, incluindo minha namorada, primo, amigos e eu. Percorremos, em carros, aproximadamente 70 km de estrada de chão Chapada à dentro e, em um certo ponto, deixamos os veículos e seguimos a pé por mais ou menos um quilômetro até uma casa tradicional Kalunga kalunga , construída e ocupada pelo Sr. João e sua esposa, também descendentes Kalungas e guardiões do complexo do rio Prata. Fomos recebidos pelo casal numa paz e simplicidade de dar inveja. Depois de uma boa conversa, colocamos nossas mochilas no cavalo do Sr. João para que ele levasse até o ponto de apoio que ficava em um local estratégico no meio do cerrado nativo, possibilitando uma certa proximidade entre as barracas e as cachoeiras que conheceríamos. Então o João e seu simpático cavalo levaram nossas mochilas e barracas, enquanto nós iniciamos a caminhada para a primeira e não menos impressionante cachoeira do complexo, Cachoeira Três Marias.

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Fiquei impactado com tamanha preservação do lugar, certamente por sermos alguns dos pouquíssimos visitantes que ali estiveram até hoje. Na sequência descemos para outra linda cachoeira (esqueci o nome, afinal são aproximadamente 13 cachoeiras descobertas, sem contar com os lindos poços e corredeiras durante o caminho).

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À esta altura, o grupo todo estava numa perfeita sintonia e todos ríamos o tempo todo com as palhaçadas dos três guias mais gente boa e engraçados que conheci.

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Depois de “cansar” de ver cachoeiras lindas e mergulhar nas águas mais belas que vi até hoje, já era fim de tarde e chegamos em nosso ponto de apoio para armar nossas barracas e descansar esperando pelo jantar que os guias Thiago, Rodrigo e Wagner prometeram preparar um verdadeiro banquete pra 11 pessoas super famintas.

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Todos comeram bastante e depois tomamos uma caixa de 5 litros de vinho Casa Valduga, tocando violão ao redor de uma fogueira, sob uma lua linda e gigante!

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Não poderia deixar de citar a percussão improvisada que o Rodrigo Zaltana fez com três tampas de panela, algumas pedras, uma garrafa pet e outra de vinho, sou músico assim como ele e posso dizer que o som ficou surpreendente hahaha.

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6:30 da manhã fomos acordados com uma cantiga hilária feita pelos 3 guias, comediantes como sempre, impossível acordar de mal humor rs. O objetivo nessa manhã era chegar ao topo de um dos morros mais altos da região. Quando chegamos ao pico tivemos uma sensação única numa mistura de silêncio, emoção e liberdade.

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Ao contrário do que todos imaginaram, a parte mais difícil foi a descida do morro, mas com muita cautela e experiência dos guias voltamos seguros novamente ao ponto de apoio por volta de meio dia, e digo “por volta” porque em nenhum momento queria saber das horas, apenas olhava para o sol e ficava torcendo pra que nunca mais precisássemos ir embora. Descansamos por mais ou menos uma hora em nosso acampamento. Lembro também que somente as mulheres tinha o privilégio de usar o “banheiro” do acampamento pra fazer necessidades. Mesmo assim, a liberdade de usar o mato pra isso e de tomar todos os banhos diários no rio não tem preço.

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Após a pausa para o lanche e descanso, seguimos a trilha para cachoeira Rei do Prata. Com as águas cristalinas do rio Prata, tivemos que usar pé de pato e snoker pra apreciar todo o diâmetro do poço que essa cachoeira formava.

Depois de mais algumas trilhas e lugares, voltamos ao ponto de apoio para, na manhã seguinte, despedirmos do complexo do Prata e conhecermos um outro santuário, no caminho de volta para a cidade de Cavalcante.
A despedida foi dura. O Sr João e família, o complexo do rio Prata; mas ainda tínhamos um lindo lugar pra conhecer, como dizem alguns nativos: a morada das fadas, Cachoeira de Santa Bárbara. Formada por uma água muito limpa e com uma certa concentração de calcário, que dá essa tonalidade azulada, foi pra mim um lugar concentrado em energias boas, um verdadeiro santuário.

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Em seguida descemos pra cachoeira Capivara, outra beleza singular formada pelas vertentes de dois rios. A emoção tomou conta do grupo quando fomos recebidos com um espetáculo feito por andorinhas, que pareciam brincar voando ao redor da cachoeira.

Esse foi um singelo relato do que foi essa aventura. É impossível descrever todas as visões, emoções e sentimentos vivenciados enquanto estávamos isolados no meio do cerrado na chapada dos veadeiros, em contato exclusivo com a natureza e a paz interior. Formamos grandes amizades vimos de perto o que realmente significa riqueza.fotoaventureiros

Sobre o Mario Jorge:

Mario
Me chamo Mário Jorge. Tenho 26 anos. Sou formado em economia, mas atuo profissionalmente na música, que é uma das minhas paixões.
Sou apreciador da natureza e ultimamente encontrei uma forma de potencializar isso praticando o mountain bike, cicloviagens e trekking’s.
Moro no entorno de Brasília e isso facilita minhas idas frequentes à Chapada dos Veadeiros, onde me sinto totalmente em casa e reabasteço minhas energias pra encarar o caos da cidade.
Meu plano de vida é conhecer o maior número possível de lugares naturalmente belos pelo planeta.

Obrigada Mário pela contribuição e viagem que seu texto nos proporcionou! (Ana Flávia)

3 thoughts on “Trekking Chapada dos Veadeiros por Mario Jorge

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