Esse post é sobre vinho. Um vinho lendário chamado Est! Est! Est!. Mas, antes de falar do vinho, é de muito bom tom apresentar a cidade que deu origem a essa famosa história.

Montefiascone
Montefiascone

Montefiascone é uma comunidade italiana, localizada a aproximadamente 130 km de Roma e possui 14 mil habitantes.  Abaixo o trajeto de Roma a Montefiascone.

Como chegar de Roma

Aqui você pode conhecer a Catedral de Santa Margherita e um antigo castelo denominado La Rocca dei Papi.

Cattedrale di Santa Margherita
Cattedrale di Santa Margherita
La Rocca dei Papi a Montefiascone
La Rocca dei Papi a Montefiascone

Mas, o que há nessa cidade é uma grande lenda de um vinho branco maravilhoso chamado Est! Est! Est!.

Aliás, não é lenda, como na maioria dos casos, mas uma história verdadeira que deu fama ao vinho e ao lugar de produção.

No início do século XII o imperador Henrique V foi para Roma e entre os vários personagens de seu séquito havia um nobre bispo de Augusta cujo nome era De Fugger, ou Defuk. Era, esta figura singular, um grande amante do bom vinho e sabendo que na Itália isto não faltava, mandou na sua frente um de seus servidores com a tarefa de descobrir onde houvesse bom vinho e demarcar o lugar com a palavra est, que em latim quer dizer “é aqui”.

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Martino – este era o nome do criado – conseguiu percorrer metade da Itália, apesar das paradas às quais era obrigado, e chegou numa localidade chamada Montefiascone, à beira do lago de Bolsena. Ali degustou o vinho local e ficou tão bem impressionado que, levado pelo entusiasmo, escreveu na porta da estalagem a palavra est, não uma, mas três vezes: Est! Est!! Est!!! Seu amo, que parava para beber nos locais marcados por Martino, chegou finalmente a Montefiascone e aí se deteve.

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Após alguns dias recomeçou a viagem para Roma, mas o grande desejo de beber mais um pouco daquele vinho que tanto o entusiasmara o fez voltar: ficou por algum tempo lutando entre o dever de seguir viagem e o prazer de continuar bebendo e no fim prevaleceu a gula do nobre bispo. Ficou além do tempo devido e bebeu tanto que morreu sem nunca ter chegado a Roma. Martino o fez enterrar na igreja de São Flaviano e mandou gravar em seu túmulo um epitáfio que, traduzido do latim, diz: “Por ter exagerado, meu senhor morreu.” Mas o nobre Defuk, como que pressentindo sua morte, fez um testamento e deixou todo o seu dinheiro à prefeitura de Montesfiascone para que, todos os anos, no dia de sua morte, fosse despejado sobre seu túmulo um barril daquele vinho. Era clara sua intenção de continuar bebendo mesmo depois de morto. O ritual foi religiosamente cumprido até o século XVIII, quando, por ordem do bispo Barbarigo, que o considerou um rito pagão, foi suspenso.

Vinho-branco-e-queijos

Em nossos dias, mais exatamente no mês de agosto, Montefiascone celebra uma festa com personagens em costumes da época, para comemorar a chegada do bispo Defuk e sua permanência ilustrada de copiosas bebedeiras.

rolha

Mas, não foi Defuk a única vítima fatal deste célebre vinho. Um grande orador francês que se tornou bispo de Montefiascone, para sentir menos o peso do exílio bebeu tanto que perdeu todo o seu brilho não só como orador mas também como homem sábio e corajoso. Estes casos dariam motivo para reflexão sobre as qualidades do Est! Est!! Est!!!, mas para nossa alegria temos um número grande de bebedores que asseguram os benéficos efeitos de um vinho que trai, sim, mas apenas aqueles que não sabem para a tempo.

Luigi Veronelli,  diz que já teve vários encontros com o Est! Est!! Est!!! e que, ao contrário de morrer, sempre tirou força e bom humor. O poeta romano Belli, grande gourmet, termina um soneto sobre os vinhos de sua terra dizendo “Ma l´este-este é um paradiso vero” (Mas o est-est é um verdadeiro paraíso).

MAPA LACIO

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